Sabe o que mais me faz falta depois que voltei?
A espontaneidade, a ingenuidade que encontrei nos relacionamentos na Índia.
Sei que não posso falar de todo um país tendo estado apenas num pedacinho do sul e por tão pouco tempo, mas encontrei lá esses traços de espontaneidade e ingenuidade e sinceridade nas trocas sociais tão perdidas para mim neste país onde moro!
O que acontece aqui no Brasil comigo? Por que acabo convivendo com pessoas tão diferentes, tão falsas, tão sacanas?
O que há de errado comigo?
Hoje estou triste, muito triste.
Aqui vou contando um pouquinho sobre minha "volta para casa"... À Índia, à minha alma, ao meu coração.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Progredindo na reflexão sobre as memórias
Há utilidade na memória e posso ver algumas: não ter que buscar informações básicas todos os dias e todo momento. Então, eu, meu cachorro, minha gata sabemos onde fica a água de cada um (memória, budhi), onde dormimos, onde moramos coisas assim...
Mas o que chamo de memórias emocionais, talvez se torne um conceito mais claro se eu chamá-las de apegos, querer prolongar o vivido e aí é que está o problema.
Alguns poderão dizer, ah, é fácil soltar. Sim, algumas coisas são mais fáceis de se deixar. Quando a memória é negativa, quando a vivência é negativa pode ser mais fácil soltar, abandonar. Acho que ficamos presos nessas memórias/vivências negativas enquanto elas nos propiciam algum serviço, mesmo que doentio. Mas soltar as memórias positivas, sair do desejo intenso de voltar a viver daquele jeito feliz, querer reviver sempre a mesma coisa feliz, isso sim é que acho mais complicado.
Pelo menos na minha vida, as coisas passam e eu fico um tempo perdida. Levo tempo até perceber e aceitar que passaram, depois fico um pouco assustada com o vazio, tenho medo de "perder" o passado, fico às vezes tentando prolongar as relações numa tentativa de restabelecer o que já se foi e percebo o quanto é difícil soltar.
Passei esta semana um pouco "vazia". Sei que é natural após um período de vivências tão intensas com tantas portas minhas se abrindo e tantas limpezas sendo feitas.
Enquanto escrevia este post recebi um telefonema de uma moça com quem havia falado apenas uma vez. Ela começou logo assim: você não deve se lembrar de mim, só nos falamos uma única vez depois da visita da Amma...
Olha já a memória entrando em ação. Eu que sou muito desmemoriada, me lembrava dela. Não apenas me lembrava dela, como pensei nela enquanto estava em Amritapuri e rezei por ela!
E este presente que foi o telefonema da Tina, manifestando-se como Deus para mim me permitiu elaborar meu pensamento:
"O que provoca o medo de ficar no aqui e agora é o vazio que sentimos ao soltar as memórias, tanto negativas quanto positivas. Não somos treinados, não aprendemos a olhar este vazio nem a permitir que ele se encha e escoa e daí a dificuldade de soltar."
Este estado que apenas vislumbro aqui pode ser um enorme instrumento de poder e bem-estar, mas por enquanto percebo apenas o conceito e vou parar por aqui.
Amma continua dando darshan na Europa. Eu continuo querendo novamente estar "em casa"....rsrsrs
A preparação da viagem de fevereiro está caminhando bem. Já sinto que faremos um lindo percurso e que iremos gozar da oportunidade de estarmos com a Mãe e o Pai!
Mas o que chamo de memórias emocionais, talvez se torne um conceito mais claro se eu chamá-las de apegos, querer prolongar o vivido e aí é que está o problema.
Alguns poderão dizer, ah, é fácil soltar. Sim, algumas coisas são mais fáceis de se deixar. Quando a memória é negativa, quando a vivência é negativa pode ser mais fácil soltar, abandonar. Acho que ficamos presos nessas memórias/vivências negativas enquanto elas nos propiciam algum serviço, mesmo que doentio. Mas soltar as memórias positivas, sair do desejo intenso de voltar a viver daquele jeito feliz, querer reviver sempre a mesma coisa feliz, isso sim é que acho mais complicado.
Pelo menos na minha vida, as coisas passam e eu fico um tempo perdida. Levo tempo até perceber e aceitar que passaram, depois fico um pouco assustada com o vazio, tenho medo de "perder" o passado, fico às vezes tentando prolongar as relações numa tentativa de restabelecer o que já se foi e percebo o quanto é difícil soltar.
Passei esta semana um pouco "vazia". Sei que é natural após um período de vivências tão intensas com tantas portas minhas se abrindo e tantas limpezas sendo feitas.
Enquanto escrevia este post recebi um telefonema de uma moça com quem havia falado apenas uma vez. Ela começou logo assim: você não deve se lembrar de mim, só nos falamos uma única vez depois da visita da Amma...
Olha já a memória entrando em ação. Eu que sou muito desmemoriada, me lembrava dela. Não apenas me lembrava dela, como pensei nela enquanto estava em Amritapuri e rezei por ela!
E este presente que foi o telefonema da Tina, manifestando-se como Deus para mim me permitiu elaborar meu pensamento:
"O que provoca o medo de ficar no aqui e agora é o vazio que sentimos ao soltar as memórias, tanto negativas quanto positivas. Não somos treinados, não aprendemos a olhar este vazio nem a permitir que ele se encha e escoa e daí a dificuldade de soltar."
Este estado que apenas vislumbro aqui pode ser um enorme instrumento de poder e bem-estar, mas por enquanto percebo apenas o conceito e vou parar por aqui.
Amma continua dando darshan na Europa. Eu continuo querendo novamente estar "em casa"....rsrsrs
A preparação da viagem de fevereiro está caminhando bem. Já sinto que faremos um lindo percurso e que iremos gozar da oportunidade de estarmos com a Mãe e o Pai!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Tudo na vida vai ficando um pouco fluo.....
Memórias... tenho pensado nelas... o que são, para que servem... As memórias vividas tão recentemente, mas com tanto impacto, tão inesperadas e tão felizes vão ficando para trás, vão ficando confusas e, pelo que vi, são tão pessoais que até mesmo quem estava ao nosso lado teve uma experiência diferente e pode me levar a a questionar o vivido.
É preciso ter certeza de si para manter o vivido como seu, para receber de braços abertos tudo o que o Universo nos oferece o tempo todo.
Aí me lembrei da segunda palavra que eu mais escutei no ashram: viver o aqui e o agora. Ficar no presente, ficar integralmente no momento presente, sem apego ao passado ou apreensão pelo futuro. Talvez este seja um dos apegos mais difíceis de soltar.
Pois quem somos nós sem a memória do vivido? Não somos seres compostos pelo resultado das experiências vividas? Uau! Quem somos nós? Quem sou eu?
Como incorporar o passado para viver melhor o presente, sem apegos ou sem limitar o futuro?
É, parece que esta será uma longa reflexão e não tenho a menor ideia de onde devo começar.
Enquanto digito pulam na minha cabeça conceitos que aprendi sobre quem sou eu, ou melhor, sobre quem somos nós os seres humanos.
Ainda não sei se faço desses conceitos minhas verdades profundas, sentidas e vividas.
Não vivo na dimensão expandida do atma, conheço-me um pouco, mas apenas do que vivi nesta vida, intuo processos cuja comprovação não tenho, bem, a história é ainda um pouco obscura.
Tudo na vida vai ficando meio fluo? Essa é uma forma de desapego? Então, para que viver, expor-se a viagens, ao trabalho, aos relacionamentos, às decepções, às frustrações, às tristezas...
É preciso ter certeza de si para manter o vivido como seu, para receber de braços abertos tudo o que o Universo nos oferece o tempo todo.
Aí me lembrei da segunda palavra que eu mais escutei no ashram: viver o aqui e o agora. Ficar no presente, ficar integralmente no momento presente, sem apego ao passado ou apreensão pelo futuro. Talvez este seja um dos apegos mais difíceis de soltar.
Pois quem somos nós sem a memória do vivido? Não somos seres compostos pelo resultado das experiências vividas? Uau! Quem somos nós? Quem sou eu?
Como incorporar o passado para viver melhor o presente, sem apegos ou sem limitar o futuro?
É, parece que esta será uma longa reflexão e não tenho a menor ideia de onde devo começar.
Enquanto digito pulam na minha cabeça conceitos que aprendi sobre quem sou eu, ou melhor, sobre quem somos nós os seres humanos.
Ainda não sei se faço desses conceitos minhas verdades profundas, sentidas e vividas.
Não vivo na dimensão expandida do atma, conheço-me um pouco, mas apenas do que vivi nesta vida, intuo processos cuja comprovação não tenho, bem, a história é ainda um pouco obscura.
Tudo na vida vai ficando meio fluo? Essa é uma forma de desapego? Então, para que viver, expor-se a viagens, ao trabalho, aos relacionamentos, às decepções, às frustrações, às tristezas...
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